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A morte da Europa-América?

por Flávio Gonçalves, em 29.12.19

Acredito na eternidade de muito poucas coisas, mas sempre julguei que a Europa-América fosse eterna... ainda tenho dezenas de obras suas na minha infindável lista de "livros a comprar" e centenas na de "até que gostaria de comprar". Já em 2011 o Aventar alertava que algo ia mal no reino dos Lyon de Castro num anónimo A Editora Publicações Europa-América Bateu no Fundo, texto que me pareceu exagerado e repleto de demasiados ataques pessoais, afinal a editora sempre aguentou mais oito anos e só começou a apresentar prejuízos constantes desde 2014, tendo apresentado insolvência só esta semana.

A Europa-América é (foi?) a editora mais icónica da minha vida, desde os catálogos gigantescos dos anos 90 que colmatavam a inexistência de uma livraria de grande dimensão na minha terra natal (a cidade da Horta, na ilha do Faial, Açores) às obras de Oswald Le Winter e Daniel Estulin, que ajudei a promover... ainda estou em negação, vou passar anos em alfarrabistas a completar algumas das minhas colecções.

O comunicado publicado ontem na página oficial da Europa-América no Facebook:

A todos os nossos leitores,

Todos os dias, desde 1945, recomendámos livros na Europa-América da Marquês de Tomar. Era aí que encontravam a nossa essência. A todos,

Um grande obrigado.
Por fazerem parte do nosso dia-a-dia.
Por lerem os clássicos connosco.
Por descobrirem o Tolkien nas nossas prateleiras.
Por fazerem batota nos testes de português com os nossos livrinhos amarelos.
Por levarem uma parte de nós em cada bolso.
Por fazerem de nós aquilo que fomos. E somos.

“Desde 1945…”, “A Memória no Futuro”, “Tantos Livros, Tão Pouco Tempo”, foram alguns dos motes que pautaram a actuação da Europa-América durante quase 75 anos de existência. Uma dedicação apaixonada que acompanhou ao longo das décadas as várias mudanças drásticas sofridas pelo País. Foi uma luta intensa, aquela que travámos desde 2011 quando fomos apanhados pela “Crise”. Agora, resta-nos olhar para trás com saudade, com orgulho, observando silenciosamente as marcas que todos nós, com o nosso trabalho, deixámos no tecido vivo do nosso País. E olhar para a frente, com a mesma dedicação e empenho de sempre.

Continuem a ler.

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publicado às 07:47

Armada - Nas Trincheiras

por Flávio Gonçalves, em 12.12.19

 

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publicado às 09:01

Antígona e Orfeu Negro organizam "Feira no Estaminé"

por Flávio Gonçalves, em 11.12.19

Sábado, 14 de Dezembro, pode visitar a sede da Antígona Editores Refractários e da Orfeu Negro na Rua Silva Carvalho, nº 152, Campo de Ourique, para desfrutar dos vários descontos, saldos e comes e bebes. A Feira do Estaminé irá decorrer entre as 11:00 e as 17:00, com descontos de até 40% nos livros da Antígona, exceptuando as novidades, e saldos entre 3€ a 10€. Há lá coisa mais apelativa que oferecer livros subversivos, romances distópicos e obras anarquistas no Natal?

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publicado às 10:36

Partiu Marie Fredriksson

por Flávio Gonçalves, em 10.12.19

A bater-se com o cancro há uns surpreendentes 17 anos, Marie Fredriksson partiu agora para o Grande Pub Celestial, os Roxette foram parte da banda sonora da minha geração com o seu inconformismo pop, quero crer que em muito parte ao passado punk de Marie ainda notório em hinos juvenis como Sleeping In My Car ou How Do You Do!

 

 

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publicado às 13:12

Ribs & Company - Amadora

por Flávio Gonçalves, em 07.12.19

IMG_20191206_203203_071.jpg

Comecei a ir ao Ribs and Company quando abriu em Odivelas, na altura ainda era extremamente fácil lá ir, ainda abundavam lugares de estacionamento em seu redor e, não sendo ainda conhecido, não era necessário reservar mesa previamente. Era chegar, sentar e comer. Levei lá família, colegas, amigos, tornou-se num dos meus restaurantes favoritos e foi com extrema satisfação que recebi a notícia de que abriu uma sucursal esta semana na Amadora (o Frankie também, tenho razões para crer que quando o meu cardiologista souber destas novidades começará a fazer planos para finalmente comprar um iate).

Ontem lá fui, partindo do princípio - correctamente - de que estando aberto há poucos dias não seria ainda necessário efectuar reserva. Uma primeira nota para o aspecto geral do edifício: este foi inovadoramente construido recorrendo a uma técnica que eu já elogiara em Julho de 2014, é integralmente construído em contentores marítimos adaptados de modo a construir um edifício agradavelmente estético de três andares forrado com as madeiras e decoração tradicional da primeira encarnação do restaurante. A opção pela cor negra na escadaria interna não foi a mais correcta, como saltará à vista logo à primeira visita. Fora esse pormenor, está fenomenal.

Os pratos também mantêm a alta qualidade e todo o sabor da casa original, tomei a liberdade - por mera razão científica claro - de pedir buffalo wings, nachos com carne, anéis de cebola e macarrão com queijo para as entradas. As asas estavam perfeitas, como sempre, o guacamole e restantes molhos dos nachos igualmente, tal como as cebolas e a nota de honra vai para o macarrão com queijo que, além das especiarias, foi também ao fumeiro e lhe conferiu um sabor extraordinário, bem distante da primeira vez que o pedi há anos (insípido na altura) pelo que deduzo que alteraram a receita ao longo dos anos, fruto da experiência.

O prato principal, retratado acima, foi uma meia dose de St. Louis Ribs, que é como quem diz uma manta de entrecosto lentamente defumada ao longo de 14 horas que salta do osso sem resistência e se derrete na boca. Acompanha com salada de couve e broa de milho. O entrecosto fumado é bom por si só, mas para dar um ar mais vivo às batatas fritas a casa dispõe de molho de alho à discrição e, para atribuir ainda um toque maior de alegria sempre que vou a um Ribs, adicionei ao entrecosto o molho da casa que é a minha eleição (têm 4 de churrasco à disposição, além do molho de alho): Jack Daniel's com piri-piri e um toque de melaço. Acreditem, é dos melhores molhos que alguma vez irão saborear. Para a sobremesa não resisti à tarte de noz pecã. Na minha casa materna era uma presença constante à mesa, pois tinhamos uma nogueira no quintal. Consiste de nozes, açúcar mascavado e natas numa base com manteiga e foi o ponto alto da noite, o convidado que me acompanhou (um amigo que não via há dois anos) um dia depois ainda está a falar de quão deliciosa estava a tarte, e creio que vou encomendar uma inteira para o Natal.

O menos bom

Pois, nem tudo são rosas. Incomodou-me logo alguns momentos após a chegada que o restaurante tenha optado por um novo conceito de serviço que, sendo cliente do restaurante tradicional, me deixou de pé atrás. Primeiro, após nos sentarmos é-nos entregue o menú e um número, depois de escolhermos dirigimo-nos ao balcão e pedimos a comida, que depois é entregue na mesa. A primeira falha é logo a inexistência de papel e lápis nas mesas para este novo conceito, nas mesas ao lado havia quem por sorte tivesse uma agenda de papel, no nosso caso escrevemos o que queriamos (entradas, pratos principais, acompanhamentos e bebidas) numa sms e depois fomos lê-la ao funcionário do balcão. Quem conheça o funcionamento dos 100 Montaditos e do Hamburguês conhece este sistema, e recomendo que a gerência do restaurante os vá visitar para ver onde pode melhorar uma vez que para um menú tão diverso onde podemos escolher vários acompanhamentos como extras exige-se lápis e papel.

Fui apanhado de surpresa pelo pré-pagamento, não notei se estava afixado em algum lugar do restaurante e, sinceramente, estraga um pouco a experiência a que me habituei de ir com uns amigos ou colegas e irmos pedindo mais cervejas ou cocktails ao ritmo que flui a conversa, aqui as coisas pagam-se quando as pedimos, e ao balcão. Suponho que tal faça sentido quando se encherem as duas esplanadas e o roof top

O último pormenor é que, ao contrário do que sucede no original, aqui somos também nós que recolhemos os pratos, talheres, guardanapos e os molhos de uma mesa de suporte perto do balcão. Algo que um adepto de fine dining como eu não está habituado, para mais num restaurante que - verdade seja dita - é mais caro que um qualquer restaurante de rua. Se cada item da ementa fosse 1€ ou 2€ mais barato que na versão do restautante em que nos servem à mesa, faria sentido. Pois hoje em dia ir jantar fora tem muito a ver com a experiência (embora eu vá a muitos sítios feios com empregados mal humorados se a comida for realmente boa), e Odivelas não está assim tão longe de Lisboa ou da Amadora para que pensemos que ao ir jantar fora com a família ou um grupo de amigos, pelo mesmo preço se calhar preferimos que nos ponham a mesa, encomendar a comida sentados e pagar só à saída, por mais 15m de estrada.

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publicado às 12:09


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Flávio Gonçalves

Crítico dito literário "cadastrado" junto de várias editoras desde 2010, tradutor, revisor e editor nos tempos livres. Actualmente resenho livros e entrevisto autores na edição portuguesa do Pravda.ru dando preferência a obras de não ficção, ficção científica, banda desenhada e ficção especulativa. Escrevo sobre política no Autarcias. #livrosamesa

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