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Recordando "As Boas Mães"

por Flávio Gonçalves, em 07.05.20

Em 2018 a Vogais Editora editava nestas lusas terras a obra As Boas Mães da autoria de Alex Perry, jornalista com obra publicada na Newsweek e na New Yorker sobre os efeitos da globalização. Em agosto do mesmo ano o jornalista Luís Faria aproveitou a passagem do autor em Portugal, de férias, e entrevistou os mesmos para o Expresso: Se falas, morres: as coragens das mães da máfia

Este postal devia obviamente ter sido publicado no Dia da Mãe, mas acabei por me descuidar com a data como a minha mãe bem deve ter notado. 

Sinopse

A máfia calabresa, conhecida como 'Ndrangheta, é uma das organizações criminosas mais ricas e cruéis do mundo, com ramificações que se estendem à América e à Austrália. Controla 70% do tráfico de cocaína e heroína na Europa, gere redes de extorsão, distribui armas ilegais e rouba fundos do Estado italiano e da União Europeia.

O seu poder assenta num código de silêncio, aplicado por uma hierarquia familiar claustrofóbica e por um sexismo assassino. Quem governa são os rapazes e os homens. As raparigas são usadas em casamentos para fortalecer alianças. Os espancamentos são a rotina. Uma mulher que seja «infiel», mesmo que a um marido morto, pode ser morta pelo filho, irmão ou pai, para lavar a honra da família.

Quando Lea Garofalo desaparece, em 2009, depois de testemunhar contra o marido mafioso, a procuradora Alessandra Cerreti dá-se conta de que a intolerância da 'Ndrangheta pode ser a sua maior fraqueza. E de que a chave para derrubar este império criminoso reside na libertação das suas mulheres. Na luta pela sobrevivência, nem todos sairão ilesos.

Ficha Técnica

Editora: Vogais
Encadernação: Capa Mole
Páginas: 344
Preço: 21,98€ (Wook)
ISBN: 9789896684693

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publicado às 07:03

E.M. Forster e a quarentena - 3 textos na estranja

por Flávio Gonçalves, em 06.05.20

Quando terminar Os Vikings em Portugal e na Galiza de Hélio Pires, já tenho na mesa de cabeceira o meu exemplar de A Máquina Pára e Outros Contos de E.M. Forster, como sucede frequentemente no meu tratamento das obras que leio (e da música que escuto) gosto de pesquisar o que defendiam ou afirmavam os seus autores, qual o seu legado, o que se pensa acerca da sua obra e fiquei surpreso por encontrar três textos fresquinhos acerca da obra de E.M. Forster, todos de datados de Abril deste ano e todos sobre como este prevera um futuro semelhante ao actual precisamente no seu conto A Máquina Pára.

O mais curto é uma mera referência citada na secção de cartas do leitor do The Guardian, How EM Forster saw the lockdown coming, originalmente intitulado How EM Forster predicted the Internet, mas algum editor deve ter achado de bom tom alterar o título para algo mais clicbaiteiro em vez de apagar o texto por completo e o republicar.

Na Prospect, Ben Wright assina Stop the machine - what EM Forster can teach us about leaving lockdown. Aqui realçam-se os pontos comuns entre a distopa de E.M. Forster e o autoritarismo tecnocrata de hoje, que se tornou mais evidente no decorrer da actual crise. 

Para terminar temos um texto na Sp!ked, a revista mais incómoda da esquerda trotskista tornada libertária no Reino Unido e, como tal, companheira pontual nos primeiros passos da portuguesa Libertária; aqui Elliot Leavy assina How EM Forster predicted our socially distanced world

Para terminar, podem encontrar carregando aqui um vídeo onde o tradutor Miguel Martins lê precisamente um excerto do conto A Máquina Pára, traduzido pelo próprio para a Antígona Editores. Ainda não o li, mas já estou a salivar. 

 

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publicado às 07:00

Campanha "Adopta Uma Livraria" foi um sucesso

por Flávio Gonçalves, em 05.05.20

Divulgamos aqui a campanha Adopta Uma Livraria da Antígona Editores Refractários, a editora já no passado dia 28 de Abril assumiu que a iniciativa foi um sucesso e com uma adesão acima das suas expectativas, como podemos comprovar:

Sabíamos que iria correr bem, mas não estávamos preparados para o sucesso da acção Adopta uma Livraria. Durante dez dias, as vendas no nosso site dispararam para valores que nem com grandiosas campanhas de descontos lá chegávamos. É ou não verdade, Orfeu Negro?

Contrariando as orientações da DGS, não achatámos a curva do pilim, e o resultado foram dez livrarias independentes, de norte a sul do país, a receber 30% de um generoso bolo que os leitores refractários nos confiaram.

Isto prova duas coisas. Primeira, que os leitores, se lhes derem a escolher, preferem ter livrarias de bairro de portas abertas do que açambarcar lombadas ao preço da uva-mijona. Segunda, que o ecossistema do livro (leitores, livrarias, bibliotecas, editoras, gráficas, papeleiras, armazéns, distribuidoras, autores, tradutores, revisores, paginadores, designers, ilustradores, agentes, comerciais, contabilistas – esquecemo-nos de alguém?) sai fortalecido quando ninguém fica para trás.

Obrigado, queridos leitores, pelo gesto consciente e corajoso. E obrigado, Livraria Centésima PáginaLivraria EscribaLivraria Ler DevagarFonte de LetrasA Das Artes LivrariaTigre de PapelCulseteSnobFlâneur e Livraria Arquivo por entreabrirem as vossas portas.

E lançam o desafio: É para continuar? Quem apanha esta onda?

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publicado às 09:44

Postal inútil sobre o 'alcance' dos meus textos

por Flávio Gonçalves, em 03.05.20

Creio que já passou um ano desde que me inscrevi, por mera curiosidade, num portal que teoricamente intermediava o contacto entre bloggers e hipotéticos promotores ligados a uma série de empresas que teriam interesse em promover os seus produtos (excusado será dizer que para um entusiasta de livros a plataforma era praticamente inútil). O grau de influência de cada blogger era medido com base nos seus seguidores nas redes sociais (Instagram, Twitter e Facebook), não recordo já se incluiam nos seus parâmetros os seguidores dos blogues.

Mesmo supondo que alguns dos meus públicos alvo se sobreponham os números são interessantes, comparando pelo menos os perfis dos meus amigos com as páginas em que carregaram no gostar noto que quem gosta que eu fale de livros e comida me segue no Livros à Mesa, quem se encontra de algum modo mais politizado prefere seguir a revista Libertária e os que procuram um mero órgão de comunicação social alternativo leem-me na página da edição portuguesa do Pravda.ru e não há grande sobreposição entre estes públicos alvo.

Note-se que ao contrário dos textos noticiosos que publico apenas no Pravda e os textos e entrevistas políticas que publico na Libertária e no Pravda, as resenhas a livros, difusão literária e entrevistas a autores e editores são publicadas nas três plataformas em simultâneo ou com a diferença de um ou dois dias, os meus textos nas redes sociais chegam a mais de 24.100 leitores (e não incluí aqui os seguidores dos meus perfis Twitter e Facebook), razão pela qual tenho actualizado quase todos os dias as redes sociais e negligenciado a blogosfera, embora tal seja extremamente frustrante para um entusiasta como eu.

Curioso é que os contadores do Pravda contabilizem uma média diária de 90.000 leitores, emboro eu arrisque afirmar que a esmagadora maioria nos chegue do Brasil. Já o Livros à Mesa, que conta com mais de 1.200 seguidores no Facebook, não atrai mais que uma dezena de visitas semanais na versão blogue...

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publicado às 10:10

Presença com descontos até 50%

por Flávio Gonçalves, em 02.05.20

Esta postal é mero serviço público, a campanha irá decorrer até dia 5 de Maio. É aproveitar.

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publicado às 10:24

As antologias pós-steampunk da Divergência

por Flávio Gonçalves, em 27.04.20

A Editorial Divergência nasceu em 2013 e desde então tem publicado volumes que muito sinceramente nunca julguei ver em Portugal com uma frequência e uma qualidade aparentemente excepcionais (digo aparentemente, porque ainda não os li a todos), favorecendo a ficção especulativa da autoria de escritores portugueses. Conta já com uma vintena de títulos, entre eles antologias como Winepunk, Almanaque Steampunk 2019, Os Monstros Que Nos Habitam, Por Mundos Divergentes ou Proxy - Antologia Cyberpunk.

Em pleno isolamento social a Divergência tem actualmente a decorrer vários concursos para a publicação de três antologias que derivam de universos pós-steampunk, nomeadamente hopepunk, dieselpunk (podem submeter os vossos manuscritos para ambos até 31 de Julho) e solarpunk (cujos textos devem ser enviados até 31 de Agosto). Ei-los:

FAROL DE ESPERANÇA

Quando tudo parece perdido, aparece o Hopepunk.

Hopepunk é uma narrativa guiada pela esperança. Um raio de luz, fruto dos tempos incertos em que vivemos.

Nós, escritores, tornamo-nos guerreiros. Lutamos pelo que acreditamos ser o melhor. Resistimos à tendência para o caos. Caímos, levantamo-nos e continuamos a acreditar. A esperança guia-nos, tal como o Sam guiou o Frodo.

Ser-se Hopepunk não é gostar de vídeos de gatinhos nem ver o mundo através de um filtro cor-de-rosa. Somos inerentemente bons. Mas também corajosos e assertivos.

Ser-se Hopepunk é usar a esperança como arma política. Ser gentil é a maior força. Enfrentamos o mundo com bondade. 

Pode consultar o regulamento aqui.

UM LEVE CHEIO A DIESEL

O Dieselpunk caracteriza-se por um predomínio do diesel na sociedade futurista dos anos 40 e 50. Primo mais novo do Steampunk, olha para a sobrevivência como o objetivo principal, numa sociedade desfeita por duas guerras mundiais e pelo advento da bomba atómica.

Pode consultar o regulamento aqui.

UM PASSO AO AMANHECER

Fortemente inspirado no Steampunk, o subgénero Solarpunk explora os temas de sociedades dominadas pelas energias renováveis (entre elas, a solar), fruto da esperança de um futuro melhor para a humanidade, onde a tecnologia é usada a favor dos humanos e das suas necessidades ambientais.

Ao invés da distopia, surge a utopia. O crescimento das comunidades locais, a harmonia entre as pessoas e a habitabilidade sustentável permite que este género literário aborde um futuro cheio de esperança, longe dos inimigos do progresso, tais como governos corruptos e grandes empresas capitalistas.

As histórias Solarpunk procuram incluir, tipicamente, a estética e a cultura africana e asiática, afastando-se da imagem ocidentalizada ao qual o nosso mundo se vai adaptando cada vez mais. Sob uma luz optimista, os principais temas deste subgénero centram-se na justiça social, anti-colonialismo, ecologia social, progresso social e tecnológico e pós-humanismo, entre outros.

Pode consultar o regulamento aqui.

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publicado às 07:00

Onde estão os livros, ó jornais?

por Flávio Gonçalves, em 26.04.20

Recordo-me de quando começaram os blogues literários, quando os leitores começaram a partilhar o que gostavam de ler, o que estavam a ler, os blogues temáticos por género que se focavam na ficção científica e na fantasia eram os meus favoritos. Mais tarde vieram as parcerias com as editoras, e era um complemento interessante à crítica literária numa altura em que as publicações literárias (LER, Os Meus Livros, Jornal de Letras) publicavam mais peças de opinião do que entrevistas e notícias sobre livros, mas tudo isto complementava o prato forte que eram as resenhas, sugestões e divulgação literária nas secções de cultura nos jornais do mainstream.

Esta semana fiz um pequeno exercício, consultei as secções de cultura dos Público, Diário de Notícias, Expresso e Jornal de Notícias e, meus amigos, o panorama não é bom! Certo, o Ípsilon do Público e o Companhia dos Livros do JN ainda tratam de livros, mas a realidade do meio editorial português em 2015 era esta: editavam-se 33 (trinta e três) livros POR DIA em Portugal, era essa a média em 2015 e em 2020 com o crescimento da oferta das gráficas digitais, que permitem tiragens pequenas, suspeito que será agora maior. Creio que qualquer leigo compreenderá que realmente o espaço dedicado aos livros na comunicação social (dez livros por semana, se tanto?) é irrelevante.

Tendo isto em mente, compreende-se que a maior parte das editoras estejam receptivas a colaborar com blogues como este, com páginas nas redes sociais que tratem de livros e, estou certo que essa realidade já exista embora ainda não tenha grande conhecimento quanto à mesma, com podcasters e youtubers que tratem de livros. Na última década a (moribunda) blogosfera e as redes sociais tornaram-se praticamente nas únicas ferramentas à disposição dos editores para chegarem aos seus potenciais leitores, os jornais estão aqui a falhar na elevação intelectual da maior parte da população que ainda os compra...

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publicado às 10:37


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Flávio Gonçalves

Crítico dito literário "cadastrado" junto de várias editoras desde 2010, tradutor, revisor e editor nos tempos livres. Actualmente resenho livros e entrevisto autores na edição portuguesa do Pravda.ru dando preferência a obras de não ficção, ficção científica, banda desenhada e ficção especulativa. Escrevo sobre política no Autarcias. #livrosamesa

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