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Quando editava as minhas resenhas por escrito no semanário O Diabo e em jornais locais como o Tribuna das Ilhas, Fazendo ou Incentivo (estes três com redacções na ilha do Faial, de onde sou natural) a política da minha parte era simples devido à limitação de espaço impresso: se a avaliação fosse negativa não se publicava a resenha, salvo livros tão grosseiros que achasse necessário denunciar o conteúdo (normalmente não ficção mal pesquisada, e por sorte só ocorreu uma ou duas vezes).
Na altura nenhum deles dispunha de uma edição digital, lacuna que creio entretanto ter sido colmatada por todos eles. Por sorte no Pravda.ru e na Libertária não há qualquer limitação deste género sendo que as resenhas aos livros e as entrevistas com os autores são publicadas na integra nas edições digitais, e criei o blogue Livros à Mesa para as compilar num só sítio.
Sucede que à medida que nos aproximamos do fim do ano tenho que assumir que este foi o ano menos produtivo de todos em leituras e, consecutivamente, em resenhas. Devo um imenso pedido de desculpas às editoras que me enviaram dezenas de obras nas quais não consegui pegar nem divulgar, com destaque para as Presença, Zéfiro, Saída de Emergência, Antígona e Porto Editora (cujos lançamentos e promoções tenho divulgado no Facebook). Seria de esperar que estando em confinamento e em teletrabalho este teria sido o ano ideal para estar a ler 2/3 livros por semana e a entrevistar autores de enfiada, mas sempre que peguei num livro passadas algumas dezenas de páginas percebi que não estava a assimilar nada e que já nem recordava as páginas que lera.
Este foi também o ano em que estive mais activo como tradutor e editor, e devido tanto ao caos da pandemia e das eleições nos EUA como frenético comentador nas redes sociais, com destaque para o Twitter. A par disto foram-me diagnosticadas asma, sinusite e rinite que me atrapalham a respiração e que, devido à actual pandemia, me causaram uma ansiedade omnipresente e ataques de pânico por em cada crise diária, ou quase, haver sempre o receio de ser Covid-19 e não uma das três maleitas crónicas que lhe imitam os sintomas, tal é por si só exaustivo e há ainda o pormenor da sonolência causada pelos antihistamínicos.
Diria mesmo que a maior parte da divulgação literária que escrevi este ano foram obituários, e alguns de autores com os quais tivera contacto pessoal e alguma cumplicidade política... e nem os reproduzi aqui. Vou doravante apostar mais no jornalismo literário aqui no blogue, na divulgação do que tem sido editado do que nas resenhas propriamente ditas, resenhas essas que estou a tentar retomar ao ritmo de uma obra por semana, organizando um horário fixo de leitura isolado numa sala.
Quando à parte gastronómica... este ano também tive que abdicar dos restaurantes e o álcool gel já me vitimou dois telemóveis, pelo que regredi ao 3G que estava armazenado no sótão e não me permite tirar fotos de tão limitado que é (um Vodafone extremamente básico).
Às 1.200 almas que seguem este blogue no Facebook, o meu obrigado por não terem desertado. Boas leituras e boas digestões.
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