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Normalmente rastreio a minha entrada na literatura de ficção científica, terror e fantasia até à extinta colecção Aventuras Fantásticas da Editorial Verbo, mas a realidade é que muito antes já tinha lido livros infantis com contos de fadas em colecções com discos de 7 polegadas ou cassetes que na altura, nos anos 80, eram vendidos por caixeiros-viajantes que volta e meia apareciam na ilha do Faial a vender colecções inteiras ou assinaturas de colecções. Ainda hoje na casa materna tenho uma vasta colecção de livros dessa altura.

Portanto, bem pensado, esses livros infantis com contos de fadas já abordavam a temática mitológica e sobrenatural tão comum na ficção especulativa e é provável que tenham influenciado o meu gosto literário antes de descobrir a colecção Aventuras Fantásticas (aconcelho vivamente a consulta do blogue homónimo mantido por um entusiasta que ainda hoje as colecciona, tanto as edições portuguesas como as brasileiras) na livraria do extinto jornal diário Correio da Horta. Assim sendo, tomei a liberdade de seleccionar duas obras do catálogo mais recente da Porto Editora para oferecerem ou lerem aos vossos petizes, estejam estes ou não na lista de leituras obrigatórias da escola deles, espero que seja do vosso agrado.

SELECÇÃO DE CONTOS DE ANDERSEN

Sinopse

Esta obra inclui três bonitos contos da autoria de Hans Christian Andersen: A princesa e a ervilha, uma história sobre amor, aparências e verdade; O rouxinol, uma história sobre o poder e a bondade; Os sapatos vermelhos, uma história sobre a vaidade e as suas consequências.

Extras no site da editora: Guião de Exploração e Fichas de Leitura.

Preço: 6,93€ na editora.

O FANTASMA DE CANTERVILLE

A primeira história publicada por Oscar Wilde leva-nos a um castelo assombrado, adquirido por uma abastada família americana que não acredita no sobrenatural, obrigando o pobre fantasma residente a encetar numa série de estratagemas para assustar os seus novos hóspedes. Nunca o fantástico, o terror e a comédia se combinaram numa trama tão genial, que nos diverte e nos leva a refletir sobre os valores mais elevados da vida.

Preço: 7,92€ na editora.

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publicado às 09:20

manualdobomfascista.jpg

Ricardo Fonseca Mota e Rui Zink são os convidados da primeira sessão, que acontece amanhã, na página de Facebook da Porto Editora

Provocar encontros improváveis e instigar boas conversas para um serão diferente - é este o ponto de partida para o desafio que o Grupo Porto Editora está a lançar a vários autores do seu catálogo.

"abre aspas" é o nome desta iniciativa, uma tertúlia quinzenal, às sextas-feiras, que vai desafiar dois convidados a porem a conversa em dia, para falar de livros, mas não só: da inspiração à escrita, das memórias às previsões, da vida quotidiana às grandes ambições — tudo pode ser tema nestas tertúlias.

A primeira sessão acontece já amanhã, dia 8 de maio, em direto no Facebook da Porto Editora. A partir das 21:47, damos as boas-vindas a Ricardo Fonseca Mota, autor do romance As Aves Não Têm Céu, e a Rui Zink, autor de Manual do Bom Fascista e de O Avô Tem uma Borracha na Cabeça, para um momento sem filtros – como as boas conversas devem ser.

asavesnaotemceu.jpg

Os dois autores vão tentar responder à questão "Somos aquilo que escrevemos?", explorando de que forma as vivências de cada um influenciam o processo de escrita (seja de forma consciente ou não). Haverá ainda tempo para questões do público, para falar da atualidade e até para sugestões culturais.

A 22 de maio, dois novos autores serão desafiados a pôr a conversa em dia, movidos por um mote diferente.

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publicado às 20:46

O estigma da literatura juvenil

por Flávio Gonçalves, em 22.04.20

Sempre me senti atraído por literatura juvenil (aquilo que no estrangeiro apodam de young adult), talvez por aí abundar a temática da fantasia, terror e ficção científica - os críticos elitistas dirão que tal prova a infantilidade destas temáticas, mas de acordo com um estudo efectuado em 2012 e já ressuscitado pelo Guardian em 2015 e pela Atlantic em 2018 mais cerca de 55% dos leitores de literatura juvenil são adultos. E aproveito para recordar que a trilogia O Senhor dos Anéis na sua altura tinha por alvo o público infantil.

Que quer isto dizer? Pessoalmente sou adepto de que a literatura juvenil ainda inclui no seu cerne uma capacidade de sonhar que a maior parte das pessoas comuns acaba por perder devido às vicissitudes da vida e que esta quanto mais antiga for mais profunda, é devido ao fenómeno comprovado de emburrecimento geral da população mundial: Tolkien hoje é lido por eruditos, no seu tempo o que escrevia tinha por público alvo as crianças. 

Aliás, tendo sido crítico literário quando passei pela redacção do O Diabo, tanto quanto a compatibilidade política o permitiu, recebi dezenas de obras de ficção cujo público alvo eram, e são, adultos e posso garantir-vos que muitas vezes as obras que os vossos filhos leem têm uma profundidade e uma maturidade filosófica muito superiores a uma imensidão de literatura que por aí anda a encher prateleiras de livrarias e hipermercados e que só serve para chacinar árvores e contribuir para o dito emburrecimento global. E dito isto, vou espreitar as obras de João Aguiar e colocar a jeito os primeiros dois volumes de Haven de Simon Lelic, que a Porto Editora editou finalmente entre nós.

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publicado às 12:58

Novidades da semana

por Flávio Gonçalves, em 04.04.20

Esta semana recebemos 6 obras, cortesia das Porto Editora, Antígona e Zéfiro. Entretanto, e tendo em mente o texto que já publicamos aqui, iremos reduzir os pedidos de remessa de obras de modo a reduzir ainda mais as idas a esse antro de contágio mal gerido em que se estão a tornar os CTT privatizados, transformados em banco. Ontem fui para a porta 30 minutos antes da abertura, e até à hora da abertura já estávamos perto de duas dezenas de pessoas à porta para ir "ao banco", receber as reformas ou, no meu caso e no de meras outras DUAS pessoas, para utilizar os serviços normais de qualquer correio: receber e enviar encomendas. 

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publicado às 13:15

PortoEditora.jpg

Grupo Porto Editora apoia pequenos livreiros adiando prazos de pagamento medida beneficia pequenas livrarias e visa ajudar a enfrentar as dificuldades económicas que se avizinham

Numa altura em que, por todo o país, centenas de livrarias veem-se na contingência de fecharem portas no contexto do estado de emergência que o país atravessa, o Grupo Porto Editora decidiu apoiar os pequenos retalhistas permitindo-lhes adiarem o pagamento das facturas com vencimento previsto para as próximas semanas.

Na comunicação enviada aos livreiros na segunda-feira, dia 23 de Março, o Grupo Porto Editora informou que os pagamentos poderão ser efectuados até finais do mês de Junho.

Esta decisão visa aliviar a pressão sobre a tesouraria das livrarias de micro e pequena dimensão, pois serão estas as que mais rapidamente serão afectadas na sua actividade, em consequência das medidas estipuladas pelo Governo a propósito do estado de emergência.

O Grupo Porto Editora continuará particularmente atento a esta realidade, uma vez que se perspectiva um impacto particularmente negativo para o sector do livro em Portugal – um sector que atravessou uma longa década de crise da qual só em finais de 2019 e inícios de 2020 começava a dar sinais de retoma.

Por fim, e perante a necessidade imperativa de que todos fiquem em casa para conter a propagação da doença COVID-19, o Grupo Porto Editora lembra que o livro e a leitura oferecem a melhor forma de viajar sem sair de casa, como demonstra o Movimento #LerDoceLer, com grande adesão nas redes sociais.

Que esta seja uma oportunidade de estimularmos o gosto e o prazer da leitura para que, quando a normalidade for retomada, as livrarias possam abrir as suas portas a um maior número de leitores.

Paulo Rebelo Gonçalves, Porto Editora

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publicado às 09:33

Rosa Montero - Entrevista por ocasião do Dia da Mulher

por Flávio Gonçalves, em 10.03.20

A Porto Editora lançou recentemente o terceiro volume da saga de ficção científica da detetive replicante Bruna Husky da autoria de Rosa Montero, intitulada de Os Tempos do Ódio, obra que recebemos da editora e que tencionamos resenhar em breve. Para já consideramos pertinente traduzir e partilhar a entrevista que a autora deu ao jornal peruano El Comercio há meros três dias por ocasião do Dia Internacional da Mulher. A entrevista é da autoria de Renato Cisneros e a tradução é minha.

Porque preferes declarar-te "anti-sexista" em vez de feminista?

Mera precisão semântica. Algumas pessoas pouco informadas acreditam que "feminismo" é o oposto de "machismo", no sentido de aspirar a ser uma ditadura da mulher, coisa que não é. "Anti-sexista" causa menos equívocos, mas reivindico também o charmoso termo "feminista".

 
Podia ser ignorância, mas como ela não é tonta, suponho que seja pura e simplesmente preconceito retrógrado, dado que a esmagadora maioria do feminismo actual não só não odeia os homens, mas até os inclui. O feminismo é também uma coisa de homens e há muitos varões tão ou mais feministas que muitas mulheres.

Tem sido muito difícil conviver e destacares-te nom meio regido por homens?

O sexismo é uma ideologia na qual todos somos educados, homens e mulheres, e restringe-nos a comportamentos nefastos e absurdos. Foi muito difícil tentar não só ser escritora, mas simplesmente ser uma pessoa numa sociedade tão machista, logo à partida.
 
Alguma vez toleraste um excesso verbal ou físico por medo ou vergonha?
 
Obviamente! Não acredito que exista uma única mulher que não o tenha sofrido. Por exemplo, entre os 10 e os 16 anos ia de metro ao instituto quatro vezes por dia, um percurso de sete estações. Não creio que tenha havido um único dia em que não me tocassem no rabo ou não se esfregassem em mim. Quando tinha 11 anos, uma amiga que ia comigo protestou contra um fulano e o sacana deu-lhe uma bofetada. Ninguém nos defendeu. Obviamente que te calavas. Acontecia o mesmo nos cinemas. Abusavam das mais novas.
 

Que dirias aos que desconfiam das quotas de género no recrutamento profissional?

Que são meras ferramentas passageiras para tentar equilibrar uma desigualdade social. Os subsídios sociais para os estudantes mais pobres também são uma discriminação positiva e ninguém acha mal, pois não?

Que opinião te merece o caso de Plácido Domingo?

É realmente terrível que fosse conhecido, que todo o mundo soubesse e que mesmo assim tenham sido 20 anos de abusos. E é ainda mais terrível que continuem a haver pessoas que tentem justificá-lo.

Deixarias de ouvir as suas canções? Deixaste de ver os filmes de Woody Allen e Roman Polanski?

Tem sido um cantor magnífico e vou continuar a ouvir as suas gravações, o mesmo vale para os filmes dos outros dois (embora no caso de Allen não seja tão claro). O que jamais farei será ir aplaudi-los. De facto, tenho bilhetes para o Teatro Real de Madrid e antes de Plácido Domingo cancelar a sua actuação na La Traviata já tinha alterado os meus bilhetes para ver La Traviata no dia em que ele não actuava. Há que lhes retirar todas as honras públicas.

Criticaste a presença da JLO e da Shakira na Orange Bowl de tanga. Esse tipo de sensualidade reforça os estereótipos patriarcais?

É sempre um grande celeuma que TODAS as mulheres tenham que ser SEMPRE esculturais, sensuais e sicalípticas para triunfar. Uma chatice, vá. 

Utilizas a linguagem inclusiva?

A língua é uma entidade viva e não pode ser mudada por decreto. Muda à medida que a sociedade o faz, e não haja dúvidas de que a nossa sociedade está a mudar imenso; por conseguinte, a língua tem que se ir limpando do seu sexismo. Mas isso emanará da própria realidade. Jamais triunfará algo tão ortopédico e forçado como duplicar e dizer sempre "todos e todas, amigos e amigas, leitores e leitoras".Há já muitos anos que não escrevo "o homem" como termo genérico; não gosto do conceito. Talvez triunfe o "todes" dos rioplatenses, que é económico; não sei. Serão a língua e o seu uso quem o irá determinar.

Porque achas que, apesar das constantes campanhas de sensibilização, se continuam a matar mulheres em todo o mundo?

Porque ainda temos muito caminho a calcar no que toca a educação. Temos que lutar para nos livrarmos todos dos preconceitos, que são anteriores ao raciocínio e, por conseguinte, invisíveis. Ignoramos que os temos e que podem afectar até o cérebro mais brilhante. A única via passa pela educação e pela desconstrução do sexismo.

Tanto em Espanha como no Perú, existem pessoas que não empregam o termo "feminicídio", alegando que a morte de uma mulher é tão trágica como a de um homem ou a de uma criança. Como rebater essa abordagem?

As mortos de uns e outras são igualmente trágicas, logo à partida (diria que as mais trágicas de todas são as das crianças), mas a questão é que não se trata de dar mais importância a umas mortes que a outras, mas de detectar padrões de violência semelhantes que possam auxiliar-nos a baixar esses números. Fazemos o mesmo com outros tipos de violência: por exemplo, estamos a tentar encontrar formas de luta contra o assédio escolar, que tem levado muitas crianças ao suicídio. Na violência doméstica contra a mulher existem padrões repetitivos que conseguimos determinar, daí essa distinção.

Que parecenças julgas ter com Marie Curie e Bruna Hasky, duas das tuas personagens femininas mais conhecidas? (sendo uma real e a outra fictícia)

Hahaha, com Marie Curie, a séculos de distância da sua excelência, assemelho-me em obsessão, pelo perfeccionismo e pela longitude do meu dedo anelar. Com Bruna, a nossa obsessão pela passagem do tempo e pela morte, e no ávido amor pela vida.

Perguntei-te há pouco quão difícil foi crescer como escritora rodeada de homens. Agora pergunto quem te ajudou a ser mulher?

Em boa parte, a minha mãe. 

--

Rosa Montero nasceu em Madrid em 1951. Como jornalista, colabora em exclusivo com o jornal El País, tendo obtido, em 1980, o Prémio Nacional de Jornalismo e, em 2005, o Prémio da Associação da Imprensa de Madrid, por toda a sua vida profissional. Com A Louca da Casa recebeu o Prémio Grinzane Cavour de literatura estrangeira e o Prémio Qué Leer para o melhor livro espanhol, distinção que também foi atribuída, em 2006, a História do Rei TransparenteA Ridícula Ideia de Não Voltar a Ver-te viria a ganhar o Prémio da Crítica de Madrid 2014.

Recebeu, já em 2017, e pelo conjunto da sua obra, o Prémio Nacional das Letras Espanholas, galardão que o júri fundamentou com a «sua longa trajetória no romance, jornalismo e ensaio». Pela Porto Editora tem publicados em Portugal A Carne, O Peso do Coração, Lágrimas na Chuva, A Ridícula Ideia de Não Voltar a Ver-te, Instruções Para Salvar o Mundo e, mais recentemente, Os Tempos do Ódio.

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publicado às 11:57


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Flávio Gonçalves

Crítico dito literário "cadastrado" junto de várias editoras desde 2010, tradutor, revisor e editor nos tempos livres. Actualmente resenho livros e entrevisto autores na edição portuguesa do Pravda.ru dando preferência a obras de não ficção, ficção científica, banda desenhada e ficção especulativa. Escrevo sobre política no Autarcias. #livrosamesa

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